terça-feira, 27 de maio de 2008

APOLOGIA À AMIZADE



Amizade

É um tácito contrato entre duas pessoas sensíveis e virtuosas. Digo sensíveis, porque um monge, um eremita pode não ser mau e viver sem conhecer a amizade. Digo virtuosas, porque os malvados só conhecem cúmplices, os lúbricos tem companheiros de deboche, os ambiciosos, associados, os políticos arrebanham os de feitio faccioso, os homens vulgares e ociosos tem ligações apenas, os príncipes, cortesãos; mas os homens virtuosos e só eles têm amigos.

Como considerar amigo?:

O lúbrico que não sabe dominar o próprio ventre, o desejo da bebida, da lascívia, do sono, da indolência. Porque esse que obedece a todas estas tendências e ignora tudo mais, nada faz de útil, nem a si mesmo;

O perdulário incapaz de bastar a si mesmo, sempre necessitado dos outros, que pede emprestado não paga e não da satisfação, que se ofende se não lhe emprestam;

E aquele que sabe aumentar seus haveres, mas desejoso de entesourar grande riqueza e por isso mesmo difícil de tratar nos negócios, mais amigo do ganho que da retribuição;

E o briguento pronto a criar para os amigos uma legião de inimigos;

E o homem que, sem ter nenhum desses defeitos deixa que lhe façam o bem sem lembrar-se de retribuir.


Os homens têm naturalmente o sentimento da amizade. Necessitam uns dos outros, rendem-se à piedade, socorrem-se mutuamente, compreendem-se e se mostram gratos. Mas possuem também o sentimento da inimizade. Quando suas idéias sobre os bens e os prazeres são as mesmas, lutam por alcançá-los. Quando divididos pelas opiniões, combatem-se uns aos outros: a guerra nasce da disputa e da cólera; a malevolência, dos desejos ambiciosos; o ódio, da inveja. Mas a amizade vence todos os obstáculos para unir os corações virtuosos: é que, graças à virtude, preferem os homens possuir em paz haveres moderados a tudo dominar pela guerra. Com fome ou sede, cordialmente dividem os alimentos e a bebida. Cobiçosos de um belo objeto, sabem resistir a si próprios para não afligir e ofender aqueles que devem respeitar. Não tomam das riquezas senão sua parte legítima, sem nenhuma idéia de cupidez, e demais auxiliam-se uns aos outros. Sabem resolver suas divergências não somente sem prejudicar-se, mas ainda com mútua vantagem, e impedir a cólera de ir até o rompimento. Enfim, repartindo suas riquezas com os amigos e olhando os bens de outros como os seus próprios, dirimem todo pretexto de inveja.

Criei esse texto com base em escritos de Voltaire e Xenofonte.

domingo, 25 de maio de 2008

CARÁTER

Deriva da palavra grega impressão, gravura. É aquilo que a natureza gravou em nós. Podemos apagá-lo? Grave pergunta essa. Se eu tiver um nariz torto e dois olhos de gato, posso escondê-los com uma máscara. Terei mais poder sobre o caráter que me atribui a natureza?

Naturam expellas furca, tamen usque recurret (Expulsai o que é natural, voltará a galope).

A religião, a moral põem um freio a força do temperamento natural, mas não podem destruí-lo.

Experimentai espertar o indolente com uma atividade contínua, resfriar, pela apatia, a alma turbulenta do impulso, inspirar o gosto pela música e pela poesia ao que carece de sensibilidade e ouvido: não o haveis de conseguir nunca, como não conseguireis dar vista a um cego de nascença. Podemos aperfeiçoar, burilar, esconder as virtudes e defeitos com que a natureza nos dotou: nada mais.

Texto extraído do livro “Dicionário Filosófico”. Voltaire

domingo, 11 de maio de 2008

A HIPÓTESE DE GAIA

Não se preocupe com o Planeta, preocupe-se com a humanidade.

Gaia é um organismo vivo, e como qualquer organismo vivo é capaz de regular sua temperatura, assim como outras condições corpóreas: a composição de sua atmosfera, a salinidade de seus oceanos e assim por diante.

E como qualquer ser vivo Gaia possui um sistema imunológica que elimina organismos patógenos. Então, ou vivemos em simbiose ou a hospedeira vai por a gente para fora, como fez com os dinossauros e outros organismos indesejáveis.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

LUXO


O luxo é a manifestação da riqueza grosseira que quer impressionar quem permaneceu pobre. É a manifestação da importância que se dá à exterioridade e revela a falta de interesse por tudo o que seja elevado e cultural. É o triunfo da aparência sobre a substância.

O luxo é uma necessidade para muitas pessoas que querem ter um sentimento de domínio sobre os outros. Mas os outros, se são pessoas civilizadas, sabem que o luxo é fingimento; se são ignorantes, admiram e talvez até invejem os que vivem no luxo. Mas a quem interessa a admiração dos ignorantes? Aos estúpidos, talvez.

O luxo, é de fato, uma manifestação de estupidez. Por exemplo, para que servem torneiras de ouro?


O luxo, é pois, o uso errado de materiais dispendiosos sem melhoria das funções. É, portanto, uma estupidez.

Naturalmente, o luxo está ligado à arrogância e ao domínio sobre os outros. Está ligado a um falso sentido de autoridade. Antigamente, a autoridade era o feiticeiro, que tinha ornamentos e objetos que somente ele podia ter. O rei e os poderosos usavam caríssimos tecidos e peliças. Quanto mais o povo se mantinha na ignorância, tanto mais a autoridade se mostrava coberta de riquezas. E ainda hoje, em muitos paises, observam-se essas manifestações de aparências miraculosas. Atualmente, porém, entre as pessoas sãs, procura-se o conhecimento da realidade das coisas e não a aparência. O modelo já não é o luxo e a riqueza já não é tanto o ter quanto o ser (para citar Erich Fromm).

À medida que diminui o analfabetismo, cai a autoridade aparente e, em lugar da autoridade imposta surge a autoridade reconhecida. No passado, um cretino sentado em um enorme trono podia, talvez, impressionar, mas hoje, e sobretudo amanhã, espera-se que não seja mais assim. Desaparecerão os tronos e as poltronas de luxo para os dirigentes impostos, os móveis especiais parar os chefes, as grandes cadeiras luxuosas colocadas em estrados de mogno, os ornamentos, as hierarquias e tudo o que servia para impressionar. Em suma, quero dizer que o luxo não é uma questão de design.


Texto extraído do livro “Das Coisas Nascem Coisas” do escritor Bruno Munari.

sábado, 3 de maio de 2008

ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL

No final do século XVI, houve uma revolução na arte da esgrima; foi introduzido um bloqueio. Era um golpe novo e devastador. Uma nova forma de desviar uma investida do adversário e quem sabia usa-lo vencia.

Quem não o conhecia estava em franca desvantagem e era quase certo que morreria nas mãos de quem aprendera a nova técnica.

Moral da história: em qualquer campo que você atue, considere manter-se atualizado uma questão de sobrevivência.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

POVO PACÍFICO OU PASSIVO?

Comparativamente, tivemos poucos eventos traumáticos, sangrentos e que tivessem requerido decisões dramáticas (exceto para os pobres, de pouca ressonância na nossa cultura). Dos piores episódios, sobressaem a Revolução Farroupilha, a Guerra do Paraguai e a de Canudos. Mas, nesses, o governo foi tragado passivamente, não tendo alternativa senão salvar seu território.

Os EUA enfrentaram uma guerra sangrenta para alcançar sua independência. A nossa foi assunto de família, resolvido com elegância. A revolução Francesa abalou os alicerces da Nação, dizimou a aristocracia e, por décadas, deu emprego aos operadores de guilhotina. Nossa república é fruto de uma quartelada. Nos EUA, a libertação dos escravos precipitou uma das guerras civis mais brutais da história. Nela perderam a vida 620 000 soldados. No Brasil, a escravidão acabou, com uma penada, quando já estava moribunda. Nunca tivemos um presidente assassinado.

Que lição de civismo para os Estados Unidos! Nossas quarteladas do século XX são de opereta. Note-se que, nos vinte anos de período militar, morreram menos pessoas do que na confrontação de estudantes com a polícia em um estádio de futebol no México. E as matanças desenfreadas nas muitas revoluções mexicanas ou os milhares de mortos e desaparecidos no Chile e na Argentina? A Europa viveu duas grandes guerras, devastadoras, quando a classe média passou fome. Na segunda, 52 milhões pereceram. E isso depois das infindáveis guerras do passado, incluindo uma que se chamou Guerra dos 100 Anos! Só por obra de Mao, na China, foram-se 70 milhões.

Homem cordial? Sociedade cordial? Alguma coisa diferencia nossa história, poupada dos cataclismos medonhos que causaram indizível sofrimento a outros países. Louvemos a Jeová! Ou seria Tupan? Mas há o reverso da medalha.

O Estado brasileiro não precisou tomar decisões cruéis, de vida e morte ou diante de invasores mais fortes. Tampouco manejar pela força transformações de sistemas políticos ou econômicos, como na Rússia, no início do século passado, quando os alicerces foram sacudidos pela revolução comunista e se sucederam choques fratricidas. Anos antes, seus generais haviam incendiado e devastado uma faixa de terra de 100 quilômetros de largura, no próprio território, para derrotar as tropas de Napoleão.

Quem sabe, por falta de hecatombes, a história deixou de nos ensinar a tomar decisões duras e penosas, as que cortam na carne, as que pisam nos calos de muitos. Em situações em que não há consenso, ficamos paralisados. Toleramos o intolerável quando não encontramos um desenlace de conciliação.

Nossa sociedade, medrosa e indecisa, conviveu por meio século com a inflação. Não teve coragem de reformar a previdência, os impostos, a lei eleitoral, a trabalhista, a sindical, a judiciária e muitas outras. Deputados não ousam punir colegas delinqüentes. Não fazemos as reformas econômicas profundas, como fizeram Argentina, Peru, Chile. Assistimos impassíveis à nossa economia ser corroída pela china. Diante das desigualdades seculares, oferecemos esmolas pré-eleição. Sonhamos com a volta de Dom Sebastião – ou do Juscelino.

Será que esse é o preço de uma história mais plácida, que exigiu menos decisões dramáticas dos grandes atores? Será que, por não termos passado por situações de vida e morte, não aprendemos a tomar decisões penosas? Nosso homem cordial prefere viver com problemas a enfrenta-los, quando as soluções são conflitantes?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

NÃO DEIXE PASSAR UMA OPORTUNIDADE DE SER FELIZ

Quem mora em Manaus e abriu qualquer um dos jornais na segunda feira viu um avião bandeirantes da Rico linhas aéreas destruído depois de um pouso forçado por problemas mecânicos no Município de Coari-Am.

Três dias antes voei quase 8h neste mesmo avião, passando por três Municípios do Estado do Amazonas e confesso que não foi grande surpresa este acidente. Considerando o histórico desta empresa, contudo, não vou entrar no mérito das causas do acidente. Este breve texto é para tratar de outro assunto. Quero falar sobre a brevidade e fragilidade da vida, sobre como é importante aproveitarmos as oportunidades que a vida nos da, e para isso faço uma livre adaptação de um texto de Luiz Fernando Veríssimo:

Eu estava a ponto de escrever alguma coisa sobre as pessoas que estão a ponto de tomar uma atitude definitiva e recuam ― e recuei. Ia escrever sobre os que um dia, por pouco, quase, ali-ali, estiveram prestes a mudar sua vida e não deram o passo crucial, mas não vou. Pena e comiseração para os que não deram o passo crucial.

Pena e comiseração para os que preferem o pássaro na mão. Para os que deixam para amanhã. Para os que têm tanto medo de perder que nem chegam a tentar. Para os que tem medo do amor. Para os que não foram ser os legionários dos seus primeiros sonhos. Para os que hesitaram na hora de pular. Para os que pensaram duas vezes. Pena e comiseração para os que irão envelhecer tentando decidir o que querem ser. E para os que decidiram, mas na hora não foram.

Pena e comiseração.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

CULTURA DE PROJETO


Estão próximas as eleições para o Conselho Regional de Eng. Arquitetura e Agronomia do Amazonas e mais uma vez é certo que as campanhas serão balizadas pelas relações de “amizade” e não por propostas concretas de melhorias.

Para aqueles que desejam concorrer ao pleito pediria uma única coisa, um único requisito: Invistam em informar a sociedade sobre a importância de uma cultura de projeto. Sobre como o trabalho de arquitetos e engenheiros pode melhorar o meio em que vivemos.

Fico indignado todas as vezes que problemas que deveriam ser resolvidos na fase de projeto se tornam incêndios a serem apagados nas obras, onerando o custo da construção e concorrendo para a péssima qualidade de muitos edifícios em nossa cidade.

É crucial para a disseminação de uma cultura de projetos que leigos sejam atraídos para os eventos promovidos pele CREA, IAB e demais órgãos pertencentes a área.

O primeiro mundo não investe em projeto porque é primeiro mundo! É primeiro mundo porque investe em projeto.
A possibilidade de se otimizar a qualidade e o custo de um produto ocorre somente na fase de projeto, durante a implementação e após a conclusão o máximo que se consegue é reduzir prejuízos. E quando se pensa em construção civil um elemento é fundamental neste processo: o projeto de arquitetura, pois este é o vetor para todo o restante da cadeia produtiva. Por isso, é mais do que verdadeiro o binômio: “projetos baratos, obras caras”.

terça-feira, 15 de abril de 2008

FIGHT CLUB


Bom, hoje uma breve homenagem àquele que considero o melhor filme (enquanto arte) que já tive o prazer de assistir. Em minha modesta opinião a coisa mais interessante que a 20th Century Fox já teve a ousadia de produzir.

Direção, Fotografia, trilha, efeitos, roteiro, elenco... Tudo se encaixa, tudo está equilibrado, tudo flui, o filme é perfeito.

O mais interessante é a mensagem que passa: “You have to give up!” rss... Abstraia a violência e curta essa obra de arte.

Para completar este "post" a tradução de uma das músicas do Filme: This Is Your Life
(Dust Brothers)


"
...E você abre a porta e entra,estamos dentro de nossos corações.
Agora imagine que sua dor é uma bola branca de luz que cura!Isso mesmo, sua dor, a dor em si, é uma bola branca de luz que cura.

Eu acho que não!

Essa é sua vida, boa até a ultima gota.
não vai ficar melhor do que está.
está é sua vida e ela acaba a cada segundo.

Isto não é um seminário
isto não é um retiro de fim de semana
De onde você está agora você não tem idéia de como fundo será
Somente depois de um desastre nós podemos ser ressuscitados
É somente depois de perder tudo que você está livre para fazer tudo

Nada é estável
Tudo está evoluindo
Tudo está caindo aos pedaços

Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
Não ficará melhor do que está,Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
E está acabando a cada segundo.

Você não é um belo e unico floco de neve
Você é a mesma matéria orgânica deteriorando assim como todo o resto
Nós somos todos partes do mesmo resíduo orgânico
Somos todos o lixo que cantam e dançam do mundo

Você não é sua conta bancária
Você não é as roupas que veste
Você não é o conteúdo da sua carteira
Você não é seu cancer de intestino
Você não é seu café com leite
Você não é o carro que dirige
Você não é suas gatinhas fudidas

Você tem que desistir
Você tem que desistir
Você tem que saber que um dia você morrerá
Até que você saiba disso
Você é inútil

Eu digo, nunca me deixe ser completo
Eu digo, eu posso nunca ser contente
Eu digo, me livre dos meus moveis suecos
Eu digo, me livre da arte contemporânea
Eu digo, me livre da pele clara e dos dentes perfeitos
Eu digo, você tem que desistir
Eu digo, evolua, e deixe os pedaços caírem quando tiverem que cair.

Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
Não ficará melhor do que está,
Esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida, esta é sua vida
E está acabando a cada segundo.

Você tem que desistir
Você tem que desistir
Eu quero que você me bata o mais forte que puder
Eu quero que você me bata o mais forte que puder

Bem-Vindo ao Clube Da Luta
Se essa é sua primeira noite
Você tem que Lutar!"

segunda-feira, 14 de abril de 2008

COMUNICAÇÃO



O maior problema nos relacionamentos é a falta de comunicação a incapacidade de falar e ouvir, de expor sentimentos e desejos.

sábado, 12 de abril de 2008

INÍCIO

Em função da minha necessidade de escrever achei coerente criar este espaço. Por aqui pretendo deixar contos, reclamações, elogios, imagens, resenhas, relatos de viagens, poesias minhas e de outros. Além de um farto conteúdo inútil.

A melhor coisa de ser escritor é que não há necessidade de ter sido publicado ou lido para se considerar escritor : )